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O Convento de Cristo: Oito Séculos de História
Quando em 1160 D. Afonso Henriques doou a primitiva fortaleza de Ceras à Ordem do Templo, recém-fundada em Jerusalém e já instalada em território português desde 1128, desencadeou uma história monumental que atravessaria oito séculos sem nunca perder a capacidade de surpreender.
Gualdim Pais, Mestre Templário veterano das Cruzadas e conhecedor da arquitetura militar na Palestina, iniciou em 1160 a construção de um castelo — o de Tomar — numa nova posição, transformando-o num dos mais poderosos bastiões militares da época.
A dissolução da Ordem do Templo em 1312, muito pela influência do monarca francês Filipe IV, que acusava os Templários de heresia, poderia ter significado o fim desta fortaleza. Portugal, contudo, negociou uma solução de continuidade. D. Dinis obteve autorização papal para criar a Ordem de Cristo, herdeira direta dos bens, privilégios e vocação militar dos Templários.
A nova Ordem manteve Tomar como sede, preservou a cruz templária (ligeiramente modificada, em vermelho sobre fundo branco) e conservou a missão de defesa da cristandade.
Foi sob a gestão do Infante D. Henrique, nomeado governador e administrador da Ordem de Cristo, que Tomar adquiriu uma dimensão inédita. Até à sua morte, o Infante viria a transformar o convento num dos motores financeiros e simbólicos da expansão marítima portuguesa.
As velas das caravelas ostentavam a cruz da Ordem de Cristo, símbolo que convertia a aventura marítima em cruzada ecuménica. Tomar deixava de ser fortaleza de fronteira terrestre para se tornar retaguarda espiritual de uma fronteira marítima em perpétua expansão.
O apogeu artístico do conjunto monástico coincide com o reinado de D. Manuel I (1495-1521), monarca que herdou um império marítimo em crescimento no Índico e lhe acrescentou um programa arquitetónico sem precedentes, destinado a materializar em pedra a glória do reino e a legitimidade divina da expansão portuguesa no século XVI.